sexta-feira, 18 de junho de 2010

De mal à extinção

Há que ter um ponto comum de partida...a percepção que o Mundo é herança de todos os seres que o habitam. A partir deste denominador as ramificações são profundas e estruturais. A mudança parte primeiramente de nós, na consciencialização do nosso ser, do estar e sentir o verdadeiro EU, e posteriormente num caminho empírico de honesto conhecimento e pesquisa, de modo a alicerçar as fundações de uma verdadeira sociedade.

A auto análise leva a uma responsabilidade social pura e holística, no que concerne à relação simbiótica entre o Eu e a sociedade, e a sociedade perante o meio ambiente.

O tempo de actuar é agora... A Índia e o Paquistão, inimigos viscerais e potências nucleares, correm ao armamento massivo com a ajuda de nações imperialistas. A China aperta o cerco às liberdades civis e reassume a necessidade regional e mundial de maior influência nos círculos de poder geopolítico, militar e no sector de consumo energético, estabelecendo uma corrida ao pódio de país mais poluidor do globo, lugar actualmente pertencente aos Estados Unidos da América. O Irão para se prevenir de uma invasão militar, tenta cimentar o seu programa de enriquecimento de urânio e deslocaliza os ministérios centrais como medida preventiva. Em retaliação táctica Israel carrega internamente na expansão dos colonatos Judeus em territórios Palestinianos, destituindo-os de terras, posses e dignidade, tal como simula o maior exercício militar desde a sua criação, a 14 de Maio de 1948, pelas Nações Unidas, augurando assim um ataque a países árabes vizinhos. No Iraque as bombas químicas e biológicas utilizadas deliberadamente pelo exército "libertador" exterminam já os filhos que não nasceram, com vil veneno, acto em nada diferente do que se passou em inúmeros campos de concentração Nazis. O bastião secular de inúmeras guerras continua a ser fustigado por propaganda religiosa, interesses oligárquicos e consórcios de narco-traficantes, assim sua capital Cabul é não mais que uma base central para um cemitério de impérios e idealismos. Na África do Sul a Sida e os conflitos étnicos escalam e tendem a manchar a vergonha ostensiva do Mundial de Futebol. O México, comprado pelas corporações transnacionais, que só prestam contas aos seus accionistas, detém, na sua capital, a maior lixeira do Mundo a céu aberto, sensivelmente do tamanho da cidade do Porto, mostrando como o desrespeito pela ligação harmoniosa com a Natureza prevalece e a saúde pública é um factor menor nos saldos contabilísticos empresariais. O Brasil apregoa um crescimento do seu papel de nova potência mundial mas continua a alojar as maiores discrepâncias sociais alguma vez vistas numa região tão rica em cultura e recursos naturais. A Argentina está aos pés do Fundo Monetário Internacional, como tantos outros países que, deste modo perpetuam o ciclo vicioso da dívida/juros. Na Europa, o xenofobismo impera e a intolerância conduz as já divididas nações a um tenebroso nacionalismo, que se compara a um tribalismo exacerbado. Países como a Indonésia, Jamaica, Haiti, Honduras, Tailândia, Malásia, Cambodja, Birmânia, Dubai, entre muitos mais acossam-se de práticas sub-humanas de exploração laborais em zonas de comércio livre, onde simplesmente se desvinculam da cidadania dos operários, tornando os novos escravos da indústria de fachada mercantilista, com o contínuo consentimento dos consumidores ocidentais, porque sim, não somos mais que meros espectadores aturdidos desta triste realidade.

O trabalho de crianças, sem qualquer meio de subsistência física, intelectual ou emocional, em países produtores e exportadores de bens agrícolas, tal como a banana, o coco, o café, o arroz e o cacau envergonha não só a face conhecida do problema mas especialmente o cinismo da cara virada na comprar ocidental daquele "doce" presente, em hipotéticos momentos idílicos. A miséria e vexame que os habitantes da Tchéchenia passam de segundo a segundo esquece na memória dos que conhecem a sua realidade e indolente no ser dos que vivem a ilusão civilizacional diária. A destruição de habitats naturais em zonas já por si escassas, como o Alasca, a Amazónia, as florestas virgens do Brunei, os corais do Atlântico e Pacífico, as calotas polares, entre tantas outras mais só reflecte o quão URGENTE é a acção..

Sem me rotular de mau pressagioso, os factos são claros. A mudança ou a extinção. Sem desculpas, com determinação e acima de tudo humanidade.

Francisco Guerreiro
18 de Junho de 2010

Sem comentários: