domingo, 13 de junho de 2010

Entre o medo e o amor

Há nove anos atrás, a generosa e visionária Organização das Nações Unidas subscreveu oito objectivos do milénio, a atingir até 2015, de modo a erradicar pobreza mundial. Através de cimeiras internacionais, parcerias com entidades privadas e programas de financiamento a países subdesenvolvidos, nomeadamente em África, a ONU pretendeu unificar o mundo para a batalha do desenvolvimento sustentável. Apoiando-se nas suas agências de crédito, seja o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, tal como no voluntariado comunitário, através da Organização Mundial de Saúde e da Organização para a Agricultura e Alimentação, a supra-entidade calculou que poderia atingir o equilíbrio simbiótico com a natureza, reduzir a mortalidade infantil, mundializar e melhorar a educação, estreitar as diferenças sociais entre sexos e combater o flagelo de doenças globais como a SIDA e a malária. Contudo, este idílico compromisso falha pelo simples motivo de não haver capital suficiente para atingir tais objectivos, porque no sistema monetário e social actual, as prioridades não estão centradas em resolver estes problemas mas sim em acentuá-los. O capitalismo, visto sob qualquer prisma ideológico, alicerça-se na exploração de indivíduos e nações, tal como no constante conflito pela possessão dos recursos planetários.

Ou seja, o cerne da questão reside em saber se há recursos suficentes para enfrentar as adversidades contemporâneas. A resposta é inequivocamente sim, e passa por declarar todos os recursos mundiais parte da herança humana. A falácia perpectuada pelas actuais instituições estabelecidas, de que há carência de recursos para sustentar as necessidades da população mundial, é a base da disfunção capitalista, ao residir no aproveitamento da escassez premeditada para a obtenção de lucro. Nenhum ser humano pode ter um preço pendente sobre as necessidades básicas da vida como a alimentação, vestuário, habitação e cuidados de saúde, nem ser objecto de exploração de uma elite global de oligarcas.

Aliás, é socialmente ofensivo conjecturarmos um Mundo em que uma só pessoa morra à fome. Esta mudança civilizacional passa não só pela consciencialização crítica da sociedade mas sobretudo por um “salto quântico a nível social” em relação a tudo o que cremos ser verdade e instituído. A realidade não é imutável muito menos estática. O método científico aplicado ao bem-estar humano, aliado à libertação mental através da educação e consciencialização mundial, defendido pelo arquitecto e engenheiro social Jacque Fresco, são a base do caminho a seguir se queremos voltar a estar em sintonia com o meio

ambiente e com a verdadeira essência existencial humana. Já estamos num plano de transição e de escolha entre o medo e o amor, entre a ditadura mundial ou a libertação humanista de proporções inimagináveis. Todos nós somos produtos do ambiente social que nos rodeia, e enquanto a sociedade não se desvincular das correntes do sistema monetário e emancipar-se ninguém pode sequer afirmar que somos civilizados.

Francisco Guerreiro

Dezembro de 2009

3 comentários:

Unknown disse...

a conclusão é então óbvia: arregaçar as mangas e vamos ao trabalho :) começamos hoje, agora, já.. fica mais fácil não pensar porque que não fazem mais, acredita!

Unknown disse...

Escolhes amor então...=)

Unknown disse...

mais uma vez: "hoje, agora, já.."