domingo, 13 de junho de 2010

Para além da evolução biológica, a revolução psicológica

O Mundo como o conhecemos está em transição, e todos os sinais indicam que para pior. Desde os primórdios da Humanidade, e após milénios de evolução, o ser humano continua a gerar miséria, destruição, agonia e sofrimento, perpectuando ideais de competição e agressividade, basilares em todas as sociedades actuais.
Que invisíveis forças actuam sobre o intelecto humano circunscrevendo-o a uma segurança ilusória? Porquê a fervorosa resistência a uma revolução psicológica e social tão urgente perante o cataclismo civilizacional? Através de uma vida de pesquisa, reflexão e partilha, tanto empírica como espiritual, Jiddu Krishnamurti, apelidado por inúmeros como “o professor da Humanidade”, teceu uma rede holística de explicações que moldam o comportamento humano, tal como as transformações necessárias para uma revolução intelectual do Homem, longe de nacionalismos, ideologias, opiniões e barreiras fictícias.
A “total revolução na mente humana”, consiste linearmente em não aceitar as coisas como são ao romper com todos os preconceitos instituídos e/ou auto impostos, exercendo uma crítica séria e genuína aos hábitos sócio-culturais, tal como aos padrões tradicionais. Segundo Krishnamurti, o importante é o que somos agora não o que podemos ser. Se realmente percebermos esta linha de pensamento atingimos uma extraordinária transformação. Urge a consciência humana de uma revitalizada qualidade mental e intelectual, de modo a enfrentar as premências contemporâneas, pondo de parte o entretenimento estéril, e enaltecendo a consciencialização séria das necessidades civilizacionais da estrutura vigente, que se mostra destruitiva e perigosa.
Tendenciamos procurar num líder, nação, ideologia ou religião a segurança psicológica que só em nós podemos encontrar. Em cada um há a resposta para todos os reais problemas e dogmas, quando com todas as nossas forças e energias assim o desejarmos. A acção é um elemento preponderante nesta transformação, isto é, ir para além das palavras, não ficar preso nelas, nos seus símbolos, ideias e conclusões, que são meramente estruturas verbais, passadas e acabadas. Então porque nos agarramos a ilusões, a ideais? Instaurada por séculos de propaganda e aceite intrinsecamente desde tenra idade, a natureza do ideal é algo não factual, apenas uma projecção futurista. Por mais irreal que seja, a perseguição de um ideal dá-nos uma sensação de pertença e sentido, que nos incute um sentimento de satisfação e segurança. E nesta sociedade será que falamos uns com os outros ou uns para os outros? Que função tem o ouvir neste processo de desmitificação empiríca? Será que ouvimos e percebemos o que é a ilusão e terminamos definitivamente com a mesma? A nossa mente está condicionada a não factos, ou seja, a ilusões que criamos e recebemos da paupérrima sociedade que nutrimos. Conseguiremos dar toda atenção necessária a esta temática, de tal modo que mudemos e rejeitemos tudo o que é ilusório e não factual? A rejeição da ilusão, do ideal, não simboliza arrogância mas a percepção desta, excluindo-a automaticamente das decisões racionais que tomamos. Qual o estado da mente depois da libertação da ilusão religiosa, nacionalista, ideológica, e interpessoal? Apenas de uma mente que absorve o actual, o momentâneo, o exacto e não cede à ansiedade emocional e ficção cognitiva.
O Tempo, ou seja, a evolução biológica, não pode transformar o Mundo, mas sim uma revolução psicológica e intelectual intrínseca que se materialize e projecte na sociedade global, ou seja terá que haver clareza para descobrirmos aquilo que é eterno.

Francisco Guerreiro
Março de 2010

1 comentário:

Unknown disse...

eu digo que esta na altura de pagar um café ao meu coração. eu digo que esta na altura de todos nos pagarmos cafés aos nossos corações, cada um ao seu! para depois sim, eu aprender a pagar um café ao teu coração, ao dele, ao dela, ao deles... e todos juntos no fim não sabermos quem paga a conta, porque estamos todos a pagar de coração!

faço-me entender? um beijo de quem não tem sono :)