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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
Banco Alimentar - Solicitação de esclarecimentos 16-06-2011
A presente missiva tem o objectivo de demonstrar a minha indignação com a organização do Banco Alimentar na gestão de voluntários na região Conimbricense, tal como salientar a apatia estrutural neste concelho, no que concerne a minha pessoa no voluntariado proposto. De seguida considero conveniente que as estruturas verifiquem o que originou esta falha, e comuniquem, a quem devido, as melhorias a implementar. Denote-se que considero qualquer voluntariado uma componente seríssima de cidadania e, por tal, exijo a mais competente gestão e dedicação das várias partes envolvidas.
Deste modo, e para clarificar os demais, passarei a expor o conteúdo das mensagens electrónicas efectuadas entre a Ex.ª. Sr.ª. Maria do Carmo Serpa Silva, coordenadora de voluntários , e a minha pessoa.
Segue-se a pormenorização descritiva da troca de mensagens electrónicas:
A 19 de Maio, Quinta-feira, ao 12:14 do presente ano recebo esta convocatória:
“BOM DIA VOLUNTÁRIOS!
Mais uma vez iremos realizar , com muito empenho, uma nova campanha de recolha de alimentos ( as pessoas necessitadas aumentam de numero todos os dias ... ) que irão ser distribuídos pelas instituições inscritas no Banco Alimentar Contra a Fome de Coimbra.
Esta Campanha, a nível nacional, decorrerá nos dias 28 e 29 de Maio. Assim, gostava de contar com a vossa disponibilidade e empenho nos super mercados (Coimbra, Cantanhede, Mira, Montemor, Figueira, Condeixa, Poiares, Penacova, Miranda, Soure, Lousã e Oliveira do Hospital ) ou no Armazém ( Venda do Cego - Cernache ).
Desde já agradeço a vossa participação e aguardo respostas
Coordenadora dos voluntários
Maria do Carmo Serpa Oliva”
Um minuto depois, ou seja, ao 12:15, respondo:
“Disponibilizo-me para trabalhar em ambos os dias em Coimbra, visto residir na cidade.
Aguardarei mais informações.
Sinceros cumprimentos
--
Francisco Guerreiro”
Volvidos seis dias, isto é, a 25 de Maio, às 4:49, reforço a minha vontade:
“Mantenho a minha disponibilidade para o voluntariado sugerido em Coimbra, por tal necessito de informações mais específicas.
Cumprimentos.
--
Francisco Guerreiro”
Depois desta breve troca de email´s não comuniquei mais com a Sr.ª Maria do Carmo Serpa de Oliva, e esperando mais de um mês, prossegui ao envio da presente carta para o Banco Alimentar a nível nacional e regional . Do mesmo modo até à presente data não tive qualquer feedback da organização para novos eventos e/ou outras necessidades organizacionais.
Espero por fim que esta exposição consiga limar arestas na organização do voluntariado regional tal como venha a melhorar a eficiência na sua gestão.
Sem mais, agradeço a leitura da presente carta tal como aguardo a sua célere resposta.
Sinceros cumprimentos,
Francisco Guerreiro
Coimbra, 14 de Junho de 2011
(1) - A presente missiva foi enviada, em correio normal, para a Federação, Membro da Federação Europeia de Bancos Alimentares, Avenida de Ceuta Estação de Alcântara-Terra, Armazém 1 1300-125 Lisboa e o Banco Alimentar contra a Fome, Coimbra, Venda do Cego, 3040-809, Cernache
Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
De mal à extinção
A auto análise leva a uma responsabilidade social pura e holística, no que concerne à relação simbiótica entre o Eu e a sociedade, e a sociedade perante o meio ambiente.
O tempo de actuar é agora... A Índia e o Paquistão, inimigos viscerais e potências nucleares, correm ao armamento massivo com a ajuda de nações imperialistas. A China aperta o cerco às liberdades civis e reassume a necessidade regional e mundial de maior influência nos círculos de poder geopolítico, militar e no sector de consumo energético, estabelecendo uma corrida ao pódio de país mais poluidor do globo, lugar actualmente pertencente aos Estados Unidos da América. O Irão para se prevenir de uma invasão militar, tenta cimentar o seu programa de enriquecimento de urânio e deslocaliza os ministérios centrais como medida preventiva. Em retaliação táctica Israel carrega internamente na expansão dos colonatos Judeus em territórios Palestinianos, destituindo-os de terras, posses e dignidade, tal como simula o maior exercício militar desde a sua criação, a 14 de Maio de 1948, pelas Nações Unidas, augurando assim um ataque a países árabes vizinhos. No Iraque as bombas químicas e biológicas utilizadas deliberadamente pelo exército "libertador" exterminam já os filhos que não nasceram, com vil veneno, acto em nada diferente do que se passou em inúmeros campos de concentração Nazis. O bastião secular de inúmeras guerras continua a ser fustigado por propaganda religiosa, interesses oligárquicos e consórcios de narco-traficantes, assim sua capital Cabul é não mais que uma base central para um cemitério de impérios e idealismos. Na África do Sul a Sida e os conflitos étnicos escalam e tendem a manchar a vergonha ostensiva do Mundial de Futebol. O México, comprado pelas corporações transnacionais, que só prestam contas aos seus accionistas, detém, na sua capital, a maior lixeira do Mundo a céu aberto, sensivelmente do tamanho da cidade do Porto, mostrando como o desrespeito pela ligação harmoniosa com a Natureza prevalece e a saúde pública é um factor menor nos saldos contabilísticos empresariais. O Brasil apregoa um crescimento do seu papel de nova potência mundial mas continua a alojar as maiores discrepâncias sociais alguma vez vistas numa região tão rica em cultura e recursos naturais. A Argentina está aos pés do Fundo Monetário Internacional, como tantos outros países que, deste modo perpetuam o ciclo vicioso da dívida/juros. Na Europa, o xenofobismo impera e a intolerância conduz as já divididas nações a um tenebroso nacionalismo, que se compara a um tribalismo exacerbado. Países como a Indonésia, Jamaica, Haiti, Honduras, Tailândia, Malásia, Cambodja, Birmânia, Dubai, entre muitos mais acossam-se de práticas sub-humanas de exploração laborais em zonas de comércio livre, onde simplesmente se desvinculam da cidadania dos operários, tornando os novos escravos da indústria de fachada mercantilista, com o contínuo consentimento dos consumidores ocidentais, porque sim, não somos mais que meros espectadores aturdidos desta triste realidade.
O trabalho de crianças, sem qualquer meio de subsistência física, intelectual ou emocional, em países produtores e exportadores de bens agrícolas, tal como a banana, o coco, o café, o arroz e o cacau envergonha não só a face conhecida do problema mas especialmente o cinismo da cara virada na comprar ocidental daquele "doce" presente, em hipotéticos momentos idílicos. A miséria e vexame que os habitantes da Tchéchenia passam de segundo a segundo esquece na memória dos que conhecem a sua realidade e indolente no ser dos que vivem a ilusão civilizacional diária. A destruição de habitats naturais em zonas já por si escassas, como o Alasca, a Amazónia, as florestas virgens do Brunei, os corais do Atlântico e Pacífico, as calotas polares, entre tantas outras mais só reflecte o quão URGENTE é a acção..
Sem me rotular de mau pressagioso, os factos são claros. A mudança ou a extinção. Sem desculpas, com determinação e acima de tudo humanidade.
Francisco Guerreiro
18 de Junho de 2010
Domingo, 13 de Junho de 2010
Para além da evolução biológica, a revolução psicológica
Que invisíveis forças actuam sobre o intelecto humano circunscrevendo-o a uma segurança ilusória? Porquê a fervorosa resistência a uma revolução psicológica e social tão urgente perante o cataclismo civilizacional? Através de uma vida de pesquisa, reflexão e partilha, tanto empírica como espiritual, Jiddu Krishnamurti, apelidado por inúmeros como “o professor da Humanidade”, teceu uma rede holística de explicações que moldam o comportamento humano, tal como as transformações necessárias para uma revolução intelectual do Homem, longe de nacionalismos, ideologias, opiniões e barreiras fictícias.
A “total revolução na mente humana”, consiste linearmente em não aceitar as coisas como são ao romper com todos os preconceitos instituídos e/ou auto impostos, exercendo uma crítica séria e genuína aos hábitos sócio-culturais, tal como aos padrões tradicionais. Segundo Krishnamurti, o importante é o que somos agora não o que podemos ser. Se realmente percebermos esta linha de pensamento atingimos uma extraordinária transformação. Urge a consciência humana de uma revitalizada qualidade mental e intelectual, de modo a enfrentar as premências contemporâneas, pondo de parte o entretenimento estéril, e enaltecendo a consciencialização séria das necessidades civilizacionais da estrutura vigente, que se mostra destruitiva e perigosa.
Tendenciamos procurar num líder, nação, ideologia ou religião a segurança psicológica que só em nós podemos encontrar. Em cada um há a resposta para todos os reais problemas e dogmas, quando com todas as nossas forças e energias assim o desejarmos. A acção é um elemento preponderante nesta transformação, isto é, ir para além das palavras, não ficar preso nelas, nos seus símbolos, ideias e conclusões, que são meramente estruturas verbais, passadas e acabadas. Então porque nos agarramos a ilusões, a ideais? Instaurada por séculos de propaganda e aceite intrinsecamente desde tenra idade, a natureza do ideal é algo não factual, apenas uma projecção futurista. Por mais irreal que seja, a perseguição de um ideal dá-nos uma sensação de pertença e sentido, que nos incute um sentimento de satisfação e segurança. E nesta sociedade será que falamos uns com os outros ou uns para os outros? Que função tem o ouvir neste processo de desmitificação empiríca? Será que ouvimos e percebemos o que é a ilusão e terminamos definitivamente com a mesma? A nossa mente está condicionada a não factos, ou seja, a ilusões que criamos e recebemos da paupérrima sociedade que nutrimos. Conseguiremos dar toda atenção necessária a esta temática, de tal modo que mudemos e rejeitemos tudo o que é ilusório e não factual? A rejeição da ilusão, do ideal, não simboliza arrogância mas a percepção desta, excluindo-a automaticamente das decisões racionais que tomamos. Qual o estado da mente depois da libertação da ilusão religiosa, nacionalista, ideológica, e interpessoal? Apenas de uma mente que absorve o actual, o momentâneo, o exacto e não cede à ansiedade emocional e ficção cognitiva.
O Tempo, ou seja, a evolução biológica, não pode transformar o Mundo, mas sim uma revolução psicológica e intelectual intrínseca que se materialize e projecte na sociedade global, ou seja terá que haver clareza para descobrirmos aquilo que é eterno.
Francisco Guerreiro
Março de 2010
Entre o medo e o amor
Há nove anos atrás, a generosa e visionária Organização das Nações Unidas subscreveu oito objectivos do milénio, a atingir até 2015, de modo a erradicar pobreza mundial. Através de cimeiras internacionais, parcerias com entidades privadas e programas de financiamento a países subdesenvolvidos, nomeadamente em África, a ONU pretendeu unificar o mundo para a batalha do desenvolvimento sustentável. Apoiando-se nas suas agências de crédito, seja o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, tal como no voluntariado comunitário, através da Organização Mundial de Saúde e da Organização para a Agricultura e Alimentação, a supra-entidade calculou que poderia atingir o equilíbrio simbiótico com a natureza, reduzir a mortalidade infantil, mundializar e melhorar a educação, estreitar as diferenças sociais entre sexos e combater o flagelo de doenças globais como a SIDA e a malária. Contudo, este idílico compromisso falha pelo simples motivo de não haver capital suficiente para atingir tais objectivos, porque no sistema monetário e social actual, as prioridades não estão centradas em resolver estes problemas mas sim em acentuá-los. O capitalismo, visto sob qualquer prisma ideológico, alicerça-se na exploração de indivíduos e nações, tal como no constante conflito pela possessão dos recursos planetários.
Ou seja, o cerne da questão reside em saber se há recursos suficentes para enfrentar as adversidades contemporâneas. A resposta é inequivocamente sim, e passa por declarar todos os recursos mundiais parte da herança humana. A falácia perpectuada pelas actuais instituições estabelecidas, de que há carência de recursos para sustentar as necessidades da população mundial, é a base da disfunção capitalista, ao residir no aproveitamento da escassez premeditada para a obtenção de lucro. Nenhum ser humano pode ter um preço pendente sobre as necessidades básicas da vida como a alimentação, vestuário, habitação e cuidados de saúde, nem ser objecto de exploração de uma elite global de oligarcas.
Aliás, é socialmente ofensivo conjecturarmos um Mundo em que uma só pessoa morra à fome. Esta mudança civilizacional passa não só pela consciencialização crítica da sociedade mas sobretudo por um “salto quântico a nível social” em relação a tudo o que cremos ser verdade e instituído. A realidade não é imutável muito menos estática. O método científico aplicado ao bem-estar humano, aliado à libertação mental através da educação e consciencialização mundial, defendido pelo arquitecto e engenheiro social Jacque Fresco, são a base do caminho a seguir se queremos voltar a estar em sintonia com o meio
ambiente e com a verdadeira essência existencial humana. Já estamos num plano de transição e de escolha entre o medo e o amor, entre a ditadura mundial ou a libertação humanista de proporções inimagináveis. Todos nós somos produtos do ambiente social que nos rodeia, e enquanto a sociedade não se desvincular das correntes do sistema monetário e emancipar-se ninguém pode sequer afirmar que somos civilizados.
Francisco Guerreiro